Um levantamento da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) voltou a chamar atenção para um problema antigo do sistema de saúde brasileiro: pacientes atendidos pelo SUS podem ter até cinco vezes menos acesso a leitos de UTI do que usuários da saúde suplementar.
Na prática, isso significa que a chance de conseguir cuidado intensivo no momento em que ele é necessário varia bastante conforme a rede de atendimento. Em situações graves, essa distância pode fazer diferença no tempo de internação, no tipo de suporte disponível e, em alguns casos, no desfecho clínico.
O dado reforça uma desigualdade estrutural que não se resume à quantidade de leitos. Ela envolve distribuição regional, capacidade instalada, financiamento e a pressão constante sobre hospitais públicos, que costumam concentrar a maior parte da demanda mais complexa do país.
Para especialistas, o alerta da AMIB não deve ser lido apenas como estatística, mas como um sinal de que o acesso ao cuidado intensivo ainda depende demais da condição de pagamento e do território onde o paciente está. Reduzir essa disparidade exige planejamento, expansão de estrutura e melhor organização da rede hospitalar.