“The Invite” transforma um jantar entre casais em um campo minado de vergonha alheia, desejo e pequenas crueldades sociais. Olivia Wilde dirige e também integra o elenco de uma história que mira a vida conjugal de classe média com humor ácido, enquanto empilha situações cada vez mais ousadas e imprevisíveis.
No centro da trama estão dois casais presos em uma noite desconfortável, em que tensões antigas e impulsos mal resolvidos começam a vir à tona. Penélope Cruz e Edward Norton ajudam a dar peso dramático ao jogo de aparências, mas é Seth Rogen quem injeta a energia cômica necessária para impedir que o enredo descambe de vez para o exagero.
A graça do filme está justamente no contraste entre a premissa escandalosa e a execução, que não se contenta em ser apenas provocativa. Há sátira, há humor de constrangimento e há uma observação afiada sobre o teatro social que sustenta certas relações adultas. Mesmo quando parece caminhar para o puro caos, o filme encontra um estranho equilíbrio.
O que poderia ser só uma comédia de situações escancaradas acaba ganhando uma camada inesperada de ternura. Entre um constrangimento e outro, “The Invite” consegue fazer da própria bagunça emocional seu principal argumento, e sai disso com mais personalidade do que o título sugeriria.