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Rearmar sem investir no país pode custar caro ao Reino Unido

Rearmar sem investir no país pode custar caro ao Reino Unido

O governo britânico tenta apresentar o novo plano de defesa como uma resposta pragmática ao mundo mais instável. Mas a conta política e econômica por trás da promessa é menos confortável: para reforçar a segurança, Londres vem comprimindo áreas civis essenciais e, ao mesmo tempo, ampliando sua dependência da máquina militar e tecnológica dos Estados Unidos.

Esse tipo de escolha costuma ser vendido como realismo. Na prática, porém, o que se chama de fortalecimento pode acabar produzindo fragilidade. Segurança nacional não se resume a blindar fronteiras ou comprar equipamentos mais caros; depende também de indústria, inovação, infraestrutura, energia e capacidade fiscal. Quando o investimento doméstico encolhe, o país perde margem de manobra justamente no momento em que mais precisa dela.

No caso britânico, o problema é agravado pelo legado do Brexit. Ao reduzir seu grau de integração com a Europa e não construir, em troca, uma estratégia autônoma robusta, o Reino Unido ficou mais exposto a decisões tomadas fora de seu controle. Reapresentar essa dependência como parceria estratégica com Washington não muda o fato de que a política externa e de defesa passa a operar com menos soberania prática e mais assimetria.

O desafio de Sir Keir Starmer não é apenas prometer proteção militar. É demonstrar que a segurança pode ser financiada sem sacrificar o crescimento de longo prazo e a confiança na economia real. Sem isso, o plano parecerá menos um projeto de renovação nacional e mais uma aposta cara: gastar mais para depender mais.

Artigo originalmente publicado em www.theguardian.com
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