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Por que os streamings estão apostando em planos com anúncios — e quanto isso muda no preço

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Os planos com anúncios deixaram de ser exceção e passaram a integrar a estratégia dos principais serviços de streaming. Em troca de interrupções durante filmes e séries, as plataformas oferecem mensalidades mais baratas para atrair consumidores que buscam reduzir gastos com assinaturas. Um levantamento do Olhar Digital mostra que, entre os serviços que oferecem as duas modalidades no Brasil, optar pelos planos com anúncios reduz significativamente o custo das assinaturas. A reportagem ouviu Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação, e Fernando Moulin, especialista em negócios e transformação digital. Os dois explicam por que as plataformas adotaram esse modelo, como os consumidores têm reagido e por que a tendência é que ele continue nos próximos anos. Quanto custa assinar os principais streamings no Brasil? O Olhar Digital comparou os preços dos planos dos principais serviços de streaming disponíveis no Brasil: Netflix, Prime Video, Disney+, HBO Max e Globoplay. No primeiro levantamento, foram considerados os planos mensais mais baratos com anúncios e os planos mensais mais baratos sem publicidade disponíveis em cada plataforma. Streamings como Apple TV+ e Paramount+ ficaram fora dessa análise porque não oferecem planos com anúncios no Brasil, impossibilitando uma comparação direta entre as modalidades. Ao considerar apenas as plataformas que oferecem planos com e sem anúncios, o custo mensal das assinaturas chega a R$ 123,50 na modalidade com publicidade. Já para assistir aos mesmos serviços sem anúncios, o valor sobe para R$ 209,50 por mês, uma diferença de R$ 86 mensais. Na prática, optar pelos planos com publicidade representa uma economia de cerca de 41%. Os dados também mostram que não existe um padrão entre as plataformas quando o assunto é o preço para remover os anúncios. A Netflix apresenta a maior diferença entre os planos analisados: assistir sem publicidade custa R$ 24 a mais por mês, um aumento de aproximadamente 115% em relação ao plano com anúncios. No outro extremo está o Prime Video, que cobra R$ 10 mensais para retirar a publicidade. Entre esses dois extremos aparecem Disney+, Globoplay e HBO Max. No Disney+, o plano sem anúncios custa R$ 20 a mais por mês, enquanto no Globoplay a diferença é de R$ 17 e, na HBO Max, de R$ 15. Em termos percentuais, isso representa aumentos de aproximadamente 67%, 74% e 50%, respectivamente. Os dados levantados também mostram que os planos com anúncios ainda não são uma realidade em todo o mercado. Apple TV+ e Paramount+ oferecem apenas modalidades sem publicidade no Brasil e, por isso, não foram consideradas na comparação entre os dois modelos de assinatura. Já o Prime Video adota um sistema diferente dos concorrentes: em vez de vender um plano específico sem anúncios, a plataforma permite remover a publicidade mediante o pagamento de um valor adicional de R$ 10 por mês. Levantamento do Olhar Digital compara os preços dos planos com e sem anúncios dos principais serviços de streaming disponíveis no Brasil e mostra quanto custa remover a publicidade em cada plataforma. Valores consultados em junho de 2026. – Imagem: Olhar Digital / Gerado por IA Os planos anuais reduzem a diferença entre os planos com e sem anúncios O levantamento do Olhar Digital mostra que a vantagem financeira dos planos com anúncios diminui quando entram em cena as assinaturas anuais. Para essa comparação, foram considerados os planos anuais quando disponíveis. Nos casos em que a plataforma não oferece essa modalidade — como a Netflix e o plano com anúncios do Disney+ — foi mantida a assinatura mensal. Nesse cenário, o custo mensal equivalente passa para R$ 104,50 por mês na modalidade com anúncios e R$ 160,50 por mês sem publicidade. A diferença entre os dois grupos fica em R$ 56 mensais, o equivalente a uma economia de cerca de 35% para quem aceita assistir a anúncios. Nos planos exclusivamente mensais, essa diferença era de R$ 86 por mês. Isso significa que os planos anuais reduzem a distância entre as modalidades com e sem anúncios em R$ 30 mensais, uma queda de aproximadamente 35% na diferença de preço. O levantamento também mostra que, em alguns casos, o desconto oferecido pelo plano anual praticamente elimina a vantagem financeira dos planos com publicidade. No Globoplay, por exemplo, o equivalente mensal do plano anual sem anúncios é de R$ 22,90, exatamente o mesmo valor cobrado pelo plano mensal com anúncios. Já no Disney+, a diferença entre o plano mensal com anúncios (R$ 29,90) e o equivalente mensal do plano anual sem publicidade (R$ 33,90) é de apenas R$ 4. E se considerar Apple TV+ e Paramount+? Como nenhuma das duas plataformas oferece planos com anúncios no Brasil, elas ficaram de fora da comparação entre as modalidades. No entanto, para quem deseja assinar também esses serviços, o gasto mensal sobe para R$ 274,30, já que é preciso incluir os R$ 29,90 da Apple TV+ e os R$ 34,90 do Paramount+. A ausência de planos com anúncios na Apple TV+ e no Paramount+ também evidencia que a estratégia ainda não foi adotada por todos os serviços de streaming disponíveis no Brasil. Enquanto cinco das sete plataformas analisadas oferecem uma alternativa mais barata financiada por publicidade, essas duas continuam disponibilizando apenas assinaturas tradicionais. Por que os streamings passaram a apostar nos anúncios? A popularização dos planos com anúncios é resultado de uma combinação de fatores que mudou a dinâmica do mercado de streaming nos últimos anos. Para Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação, o modelo de negócios deixou de ser baseado apenas na conquista de novos assinantes, enquanto a concorrência e os custos das plataformas aumentaram. “O modelo anterior era um modelo binário, ou você tinha assinatura ou não tinha. Os streamings foram ganhando concorrência”, afirma. Segundo ele, conquistar consumidores que ainda não assinam um serviço se tornou mais difícil, ao mesmo tempo em que cresceram os custos de produção de conteúdo, infraestrutura em nuvem e operação. Nesse cenário, as plataformas passaram a buscar novas formas de aumentar a receita. Igreja afirma que a publicidade se tornou uma oportunidade para monetizar o tempo que os usuários passam consumindo conteúdo. “Passou a existir uma atenção muito grande do consumidor dentro dessas plataformas, onde ele permanece por muitos minutos, muitas horas. Inserir publicidade é muito importante para os anunciantes e acaba se tornando uma linha de receita relevante”, diz. Plataformas de streaming buscam novas formas de aumentar receita – Imagem: Framesira / Shutterstock Fernando Moulin, CEO e fundador da Polaris e especialista em dados, transformação digital e experiência do cliente, avalia que esse movimento ganhou força quando a Netflix passou a enfrentar uma desaceleração no crescimento e um aumento da concorrência. Segundo ele, a empresa identificou uma oportunidade de alcançar consumidores que não estavam dispostos — ou não tinham condições — de pagar pelos planos mais caros. “A solução foi oferecer modelos monetizados por anúncios. Ou seja, o consumidor assiste ao conteúdo com publicidade e paga um pouco menos pela assinatura”, explica. Na avaliação de Moulin, a estratégia acabou sendo adotada por praticamente todo o setor e contribuiu para ampliar o acesso aos serviços. “Hoje, essa prática é adotada por praticamente todos os serviços de streaming e é uma forma de popularizar o acesso”, afirma. O consumidor está disposto a assistir a anúncios? O levantamento do Olhar Digital mostra que a diferença entre os planos com e sem anúncios pode chegar a R$ 86 por mês entre as plataformas que oferecem as duas modalidades de assinatura. Mas, na prática, o preço mais baixo é suficiente para convencer o consumidor a aceitar as interrupções? Para Arthur Igreja, a resposta depende do perfil e do orçamento de cada assinante. Segundo ele, já existem exemplos consolidados desse comportamento em outras plataformas digitais, como YouTube e Spotify, que convivem há anos com versões gratuitas ou mais baratas financiadas por publicidade. Serviços como YouTube e Spotify já convivem com modelos com anúncios há bastante tempo em suas versões gratuitas – Imagem: Bangla press/Shutterstock “A resposta é sim. Algumas pessoas, sim”, afirma. “Depende do bolso e do perfil. Algumas pessoas nem se importam tanto.” Na avaliação de Fernando Moulin, os planos com anúncios ampliam o acesso aos serviços ao oferecer uma alternativa mais barata para consumidores que não pagariam pelos planos tradicionais. Segundo ele, os resultados divulgados pelas próprias empresas indicam que o modelo tem sido bem recebido pelo mercado. “É um modelo que serve para disponibilizar o acesso a consumidores que, de outra forma, gastariam mais para ter esse tipo de opção”, diz. Na avaliação dos especialistas, justamente por oferecer uma alternativa mais barata, esse modelo amplia o alcance das plataformas e ajuda a explicar por que os planos com anúncios ganharam espaço no mercado. O modelo veio para ficar? Para os especialistas ouvidos pelo Olhar Digital, os planos com anúncios tendem a continuar fazendo parte da estratégia das plataformas de streaming. “Já é o padrão. Não consigo ver essa estratégia sendo abandonada, ou que ela não deu certo. Veio para ficar”, afirma Arthur Igreja. Fernando Moulin avalia que a tendência é semelhante à observada em outros serviços digitais. Segundo ele, plataformas como o Spotify já convivem há anos com modelos financiados por publicidade e assinaturas pagas, e o streaming de vídeo deve seguir o mesmo caminho, oferecendo diferentes opções para perfis distintos de consumidores. A coexistência entre planos com e sem anúncios também amplia as possibilidades de monetização das plataformas, permitindo atender consumidores com diferentes perfis de consumo e orçamento. O post Por que os streamings estão apostando em planos com anúncios — e quanto isso muda no preço apareceu primeiro em Olhar Digital.
Artigo originalmente publicado em olhardigital.com.br
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