Em meio à tensão prolongada no Oriente Médio, o Omã consolidou uma posição rara: a de interlocutor confiável para lados que quase nunca se sentam à mesma mesa. Sua diplomacia de bastidores voltou aos holofotes após o Irã informar que realizou com o país sua primeira reunião sobre a gestão do estreito de Ormuz desde o acordo preliminar para encerrar a guerra na região com os Estados Unidos.
O movimento ajuda a explicar por que o sultanato aparece cada vez mais como peça-chave na tentativa de conter riscos maiores em uma das rotas marítimas mais sensíveis do planeta. Ormuz é um corredor estratégico para o fluxo de petróleo e gás, e qualquer instabilidade ali repercute imediatamente nos mercados e na segurança regional.
Na segunda-feira, o peso político de Mascate também deve ser levado para o centro da agenda europeia, com o presidente francês Emmanuel Macron recebendo o sultão do Omã no Palácio do Eliseu. A expectativa é de que o estreito de Ormuz e os desdobramentos da guerra no Oriente Médio estejam entre os temas principais da conversa.
O caso omani mostra como, em conflitos marcados por desconfiança e rivalidade aberta, a influência nem sempre vem de gestos estridentes. Às vezes, ela se constrói pela capacidade de manter canais abertos, reduzir ruídos e oferecer um espaço neutro para negociações que outros atores não conseguem conduzir.