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IA pode prolongar crise de memória para além de 2027, alerta Micron

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IA pode prolongar crise de memória para além de 2027, alerta Micron
A escassez de memória, impulsionada pela alta demanda da IA, já resultou no aumento de preços de computadores, celulares, videogames e demais produtos nos últimos meses. Mas essa crise pode continuar além de 2027, segundo a Micron. A previsão foi compartilhada por uma das principais fabricantes de chips de memória nesta quarta-feira (24), durante a apresentação dos resultados financeiros do terceiro trimestre fiscal de 2026. A pressão é atribuída ao avanço da inteligência artificial (IA), que exige cada vez mais memória para treinar e operar modelos, processar grandes volumes de dados em tempo real e equipar servidores com aceleradores, como GPUs. -Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.- De acordo com a Micron, a demanda por memória deve crescer não só em data centers, mas também com recursos de IA em smartphones, PCs de alto desempenho, novos dispositivos de consumo, veículos autônomos, aplicações industriais e robótica. Servidores com aceleradores de IA também são apontados como um dos fatores de expansão nos data centers. A companhia afirma ainda que, embora espere uma melhora gradual na oferta em 2028, ainda não há clareza sobre quando a produção de memória conseguirá acompanhar a demanda crescente. IA pressiona a oferta de memória A Micron afirma que sistemas de IA dependem cada vez mais de largura de banda, capacidade, baixa latência e baixo consumo de energia. Isso aumenta a importância de tecnologias como HBM, uma memória de alto desempenho usada em infraestrutura de IA. Esse movimento também pode reduzir a oferta de DRAM usada em outros produtos, como computadores, celulares e servidores. Isso acontece porque a expansão da HBM, memória de alto desempenho usada em IA, ocupa parte da capacidade de produção da indústria, enquanto a complexidade das novas gerações de memória torna o aumento da fabricação mais difícil. A companhia diz ainda que novas fábricas exigem projetos grandes, caros e demorados. Entre os gargalos citados estão construção de fábricas, licenciamento, infraestrutura de energia e mão de obra especializada. Preços mostram mercado apertado Os números do trimestre ajudam a explicar a pressão. No período atual, a receita de DRAM foi de US$ 31,3 bilhões, alta de 67% em relação ao trimestre anterior e de 343% na comparação anual. A quantidade de DRAM vendida cresceu pouco no trimestre. Já o valor médio de venda subiu mais de 60%, o que indica que a alta da receita veio mais do preço cobrado pelos chips do que do volume vendido. Em NAND, memória usada para guardar arquivos, fotos, vídeos, aplicativos e outros dados, a receita foi de US$ 9,9 bilhões, alta de 99% no trimestre e de 361% no ano. A quantidade vendida também cresceu de forma moderada, enquanto os preços médios subiram mais de 80%. Os reflexos já aparecem na indústria. Nesta semana, a Apple aumentou preços de Macs, iPads e demais produtos, com exceção do iPhone. O mesmo ocorreu com o XBOX. A Micron também informou que sua receita de data center passou de US$ 25 bilhões no trimestre. Se esse desempenho fosse repetido por quatro trimestres seguidos, o total superaria US$ 100 bilhões. Para dar mais previsibilidade ao fornecimento e à demanda, a empresa assinou 16 acordos estratégicos com clientes. Os contratos cobrem cerca de 20% do volume de DRAM e um terço do volume de NAND da Micron no período contratado. Resultado recorde no trimestre A Micron também divulgou números recordes no terceiro trimestre fiscal de 2026. A receita total chegou a US$ 41,5 bilhões, alta de 74% em relação ao trimestre anterior e de 346% na comparação anual. O lucro líquido ajustado, que exclui efeitos contábeis específicos usados pela empresa para medir o desempenho operacional, foi de US$ 28,9 bilhões. Já o lucro por ação diluído ficou em US$ 25,11. A margem bruta ajustada foi de 84,9%, enquanto a margem operacional ajustada chegou a 81%. Leia a matéria no Canaltech.
Artigo originalmente publicado em canaltech.com.br
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