O empresário chinês Guo Wengui, também conhecido como Miles Guo e Ho Wan Kwok, foi condenado nesta segunda-feira, 29 de junho de 2026, a 30 anos de prisão por um esquema de fraude financeira de grandes proporções nos Estados Unidos. Segundo o tribunal federal de Manhattan, mais de mil pessoas em diferentes países foram atingidas e as perdas somaram centenas de milhões de dólares.
Guo construiu nos EUA a imagem de opositor do Partido Comunista Chinês e, com esse discurso, conseguiu mobilizar seguidores e investidores para projetos ligados à mídia, a investimentos e a iniciativas no mercado de criptoativos. Para os procuradores, o dinheiro arrecadado financiou uma rotina de luxo, com mansões, iates, carros esportivos e outros gastos incompatíveis com a narrativa de dissidência.
A sentença foi assinada pela juíza Analisa Torres, que também determinou o confisco de US$ 889 milhões. O caso já tinha sido consolidado em julho de 2024, quando Guo foi considerado culpado em nove das 12 acusações, entre elas fraude eletrônica, fraude com valores mobiliários e lavagem de dinheiro.
A defesa tentou enquadrar o processo como mais um capítulo da perseguição política que, segundo ela, o empresário sofreria por parte de Pequim. O tribunal, porém, entendeu que eventual conflito com o governo chinês não apagava a natureza criminosa das operações. O episódio reforça um alerta recorrente: quando ativismo e promessa de lucro se misturam, a linha entre militância e golpe pode ser deliberadamente apagada.