Criatura da Antártida pode ajudar a combater o melanoma, dizem cientistas
Uma pequena criatura marinha encontrada na Antártida pode ajudar cientistas na busca por um novo tratamento contra o melanoma, o tipo mais agressivo de câncer de pele. O potencial está em toxinas produzidas por bactérias que vivem associadas a esses organismos.
Os resultados obtidos até agora chamaram a atenção dos pesquisadores, mas a pesquisa ainda está em uma fase inicial, divulgou matéria no The Guardian.
A descoberta ainda está em fase inicial, mas os resultados obtidos até agora aumentam o interesse pelo potencial terapêutico das ascídias. – Imagem: Inside Creative House/Shutterstock
Descoberta começa a ganhar força
Durante uma expedição de seis semanas, a equipe da Universidade do Sul da Flórida (USF) coletou ascídias, pequenos invertebrados que habitam as águas geladas da Antártida. Em testes com camundongos, as toxinas produzidas por bactérias presentes nesses organismos eliminaram células de melanoma.
A boa notícia é que isso não matou os camundongos. Eliminou o câncer deles, então sabemos que a substância possui propriedades fisiológicas para agir como um medicamento.
Bill Baker, professor de química da USF, ao The Guardian.
Antes que qualquer aplicação em humanos seja considerada, o composto ainda precisará passar por uma série de estudos para confirmar sua segurança.
Ascídias foram coletadas durante uma expedição de seis semanas
Os mergulhos chegaram a até 40 metros de profundidade
As toxinas eliminaram células de melanoma em camundongos
O trabalho agora avança para a etapa laboratorial
Mergulhos de até 40 metros exigiram planejamento rigoroso por causa do gelo, da baixa visibilidade e das focas-leopardo. – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)
Trabalho de campo exigiu planejamento
Além das baixas temperaturas, a equipe enfrentou gelo, focas-leopardo e mudanças constantes nas condições do mar durante a coleta das amostras.
“Na Antártida, você lida com gelo, focas-leopardo, condições marítimas variáveis e, às vezes, visibilidade muito limitada”, explicou Ben Meister, professor da USF responsável pela segurança da expedição. Conforme o pesquisador, cada mergulho foi cuidadosamente planejado para permitir a coleta sem colocar a equipe em risco.
Laboratório será decisivo
A próxima etapa será reproduzir a toxina em laboratório. Baker explicou que a quantidade obtida diretamente das ascídias é muito pequena e que aumentar a coleta colocaria o ecossistema antártico em risco.
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O pesquisador também lembrou que diversos medicamentos aprovados surgiram de compostos naturais e classificou esta descoberta como um dos momentos mais importantes de sua carreira. Os próximos estudos deverão indicar se a substância poderá avançar para testes em outros modelos animais e, futuramente, em seres humanos.
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