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Terremotos na Venezuela: como o Android avisou 11 milhões antes de tremores

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Terremotos na Venezuela: como o Android avisou 11 milhões antes de tremores
Dois terremotos atingiram a região central da Venezuela na noite de 24 de junho, com epicentros próximos a San Felipe e Morón. O primeiro teve magnitude 7,2 e o segundo, registrado 38 segundos depois, chegou a 7,5, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Foi o evento sísmico mais intenso no país em mais de cem anos. Como funciona o alerta de terremotos do Android Dá para prever um terremoto com antecedência? Antes do solo começar a tremer, 11,4 milhões de celulares Android dispararam alertas, segundo o Google. Em boa parte dos casos, as pessoas tiveram entre poucos segundos e até dois minutos para buscar abrigo antes do impacto. A Venezuela não possui um sistema nacional de alerta precoce para terremotos. Por isso, a ferramenta do Google pode ter contribuído para reduzir o número de vítimas, embora não exista forma de comprovar quantas vidas foram salvas. -Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.- Como o celular vira sensor de terremoto O sistema, batizado de “Android Earthquake Alerts” (AEA), usa o acelerômetro presente nos smartphones, o mesmo componente responsável por girar a tela quando o aparelho muda de posição. Segundo o engenheiro de software do Google Marc Stogaitis, em um artigo de 2025, esse sensor também capta as vibrações da onda P, a primeira gerada por um terremoto. Quando um celular parado detecta esse movimento, ele envia um sinal anônimo com a localização aproximada para os servidores do Google. A empresa cruza as informações recebidas de vários aparelhos próximos para confirmar a ocorrência do tremor, calcular sua intensidade e estimar sua extensão. A onda P se propaga mais rápido e causa menos danos do que a onda S, a responsável pela maior parte da destruição em um terremoto. É justamente esse intervalo entre as duas ondas que o sistema do Google aproveita para emitir o alerta antes da chegada da fase mais perigosa do abalo. No caso da Venezuela, os primeiros sinais da onda P foram captados em cerca de três segundos, e os alertas começaram a ser enviados seis segundos depois, conforme relatou Stogaitis ao New York Times. Quem está mais distante do epicentro tende a ganhar mais tempo de reação. Já moradores próximos ao ponto do tremor costumam sentir o abalo antes mesmo de receber a notificação. Em 2025, um alerta falso de terremoto foi emitido para celulares Android no Brasil (Imagem: Bruno De Blasi/Canaltech) Dois níveis de aviso, ativados por padrão O Google só envia alertas para terremotos de magnitude igual ou superior a 4,5. Existem dois formatos. O "Be Aware" (Esteja ciente, em inglês) é destinado a tremores de menor intensidade. O "Take Action" (Aja, ou Faça algo) ocupa toda a tela do celular, vem acompanhado de um sinal sonoro e é reservado para abalos mais fortes, com orientação direta para buscar proteção. Durante os terremotos na Venezuela, cerca de 1,4 milhão de pessoas receberam o alerta mais grave. Para o sistema funcionar, o celular precisa estar conectado à internet e com localização e o recurso de alerta sísmico ativados, configuração que vem ligada por padrão nos aparelhos Android. O recurso está disponível em cerca de 100 países, segundo o Google, muitos deles sem redes próprias de sensores sísmicos. A empresa afirma que o número de pessoas com acesso a algum tipo de alerta precoce de terremoto saltou de 250 milhões em 2019 para 2,5 bilhões em 2025, expansão impulsionada pelo uso de celulares já existentes em vez de equipamentos dedicados. A tecnologia não é infalível. O próprio Google reconheceu que o sistema teve desempenho abaixo do esperado durante o terremoto na Turquia em 2023. Em fevereiro de 2025, a empresa também emitiu um alerta de terremoto para usuários em São Paulo, no Rio de Janeiro e no sul de Minas Gerais sem que nenhum tremor tivesse de fato ocorrido, falha que a companhia atribuiu a uma leitura equivocada de sinais de celulares próximos ao litoral paulista. Leia a matéria no Canaltech.
Artigo originalmente publicado em canaltech.com.br
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