A escolha da senadora Teresa Leitão (PT-PE) para a liderança do governo no Senado é vista no Congresso como uma medida de recomposição interna, não como uma solução para a crise que o Planalto vive com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP). A mudança atende à necessidade imediata de dar novo comando à articulação, mas não apaga o atrito acumulado entre governo e Senado.
Teresa assume a função após a saída de Jaques Wagner (PT-BA), que deixou o posto depois de ser atingido pela operação Compliance Zero, da Polícia Federal. A movimentação abriu espaço para Lula redesenhar a interlocução com os senadores, em um momento em que o Executivo tenta conter ruídos e recuperar previsibilidade na relação com o Legislativo.
Mesmo com a troca, aliados avaliam que o problema central permanece político e não apenas administrativo. O rompimento com Alcolumbre enfraquece a capacidade do governo de costurar votações estratégicas e amplia a disputa por influência dentro do Senado, onde a relação pessoal entre lideranças costuma pesar tanto quanto a agenda formal.
Na prática, a chegada de Teresa Leitão pode melhorar a disciplina da base e dar ao governo uma voz mais alinhada ao Planalto. Mas, sem uma reaproximação com Alcolumbre, a mudança tende a ter efeito limitado: ajuda na operação cotidiana, mas não reordena sozinha a correlação de forças no Congresso.