A logística aquaviária brasileira vive um momento de mudança estrutural. Segundo diagnóstico da FLG, a cabotagem só vai ganhar escala de forma consistente se o investimento deixar de mirar exclusivamente os navios e passar a considerar toda a estrutura que os cerca, especialmente retroáreas, terminais e conexões terrestres.
Na prática, isso significa tratar a cabotagem como um sistema logístico completo, e não apenas como uma operação de transporte entre portos. Para a holding, o avanço do modal depende de ativos capazes de organizar fluxo, armazenagem, consolidação de cargas e integração com rodovias e outras etapas da cadeia.
Esse tipo de visão é relevante porque boa parte da ineficiência do setor não está no percurso marítimo em si, mas no que acontece antes do embarque e depois da descarga. Sem áreas de apoio bem estruturadas, a operação perde previsibilidade, aumenta custos e reduz a competitividade frente a alternativas mais onerosas e menos sustentáveis.
O diagnóstico também reforça que a expansão da cabotagem exige capital de perfil diferente, com horizonte mais longo e apetite para projetos de infraestrutura fora do casco. É esse investimento complementar que pode transformar a navegação costeira em um eixo mais robusto da logística nacional, com ganhos para indústria, comércio e abastecimento regional.