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Por que o bumbum masculino virou presença recorrente no audiovisual?

Por que o bumbum masculino virou presença recorrente no audiovisual?

Durante muito tempo, a nudez no audiovisual foi tratada de forma desigual: o corpo feminino aparecia com muito mais frequência, enquanto o masculino costumava ser preservado por pudor, convenção ou simples hábito de mercado. Isso vem mudando. Nos últimos anos, o bumbum dos homens passou a surgir com mais naturalidade em filmes, novelas e séries, como parte de um movimento mais amplo de flexibilização dos códigos de representação.

Esse avanço não acontece por acaso. Ele acompanha uma indústria mais atenta à diversidade de corpos e menos presa à ideia de que o homem precisa ser mostrado sempre como figura contida, poderosa e blindada. Quando atores como Jesuíta Barbosa, Xamã, Charles Melton ou Alexander Skarsgard aparecem em cenas de nudez, a escolha costuma dialogar com personagem, contexto dramático e também com uma nova relação do público com o corpo em cena.

Há ainda uma dimensão cultural importante: o que antes era visto como constrangimento hoje pode ser lido como recurso de linguagem, humor, vulnerabilidade ou afirmação de liberdade. Em algumas produções, a exposição corporal intensifica a personalidade da cena; em outras, funciona como comentário sobre desejo, intimidade e insegurança. O impacto, portanto, vai além do choque ou da curiosidade imediata.

No fim, a presença cada vez mais frequente do bumbum masculino nas telas revela menos uma moda passageira e mais uma reorganização dos limites do que pode ser mostrado. Entre a provocação e a normalização, o audiovisual parece testar uma nova gramática do corpo, na qual o homem também passa a ser observado, exposto e interpretado com a mesma intensidade antes reservada às mulheres.

Artigo originalmente publicado em redir.folha.com.br
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