Ao longo de 40 anos cobrindo Copas do Mundo, Shaun Botterill acompanhou não apenas jogos decisivos e craques históricos, mas também a revolução tecnológica que mudou para sempre o trabalho de um fotógrafo esportivo. Em um período em que cada clique exigia paciência, improviso e muita logística, ele chegou a revelar filmes em banheiros de estádio para não perder prazo de entrega.
Essa rotina artesanal ficou para trás. Hoje, a imagem sai quase em tempo real, circula pelo planeta em segundos e disputa atenção em meio a um volume gigantesco de registros. Botterill, que construiu uma carreira marcada por consistência e olhar apurado, testemunhou a passagem de uma cobertura lenta e física para um ambiente dominado por velocidade, transmissão instantânea e redes sociais.
Entre as cenas mais marcantes de sua trajetória está a fotografia de Lionel Messi que acabou se tornando um dos registros mais populares da história do Instagram. O impacto da imagem resume bem a era atual: uma foto de futebol já não vive apenas nas páginas do jornal ou nas agências, mas pode ganhar dimensão cultural imediata e ultrapassar o universo esportivo.
Na conversa com Carly Earl, editora de imagens do Guardian Australia, Botterill relembra como a Copa do Mundo foi se transformando junto com a fotografia. O que antes dependia de rolos de filme, laboratório improvisado e muito tempo de espera agora exige precisão, agilidade e leitura rápida do instante exato. A essência, porém, segue a mesma: estar no lugar certo, no momento certo, e capturar uma história que valha ser lembrada.